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Trabalhar com métricas pode ser, em um primeiro contato, aparentemente difícil ou inócuo. Ainda mais se não houver um propósito bem claro e razoavelmente aceito por todos envolvidos.

Pois bem, neste post, não queremos aqui definir um tratado definitivo e extremamente abrangente sobre métricas. Muito pelo contrário. A ideia aqui é deixar algumas pistas e dicas sobre métricas para uma melhor gestão do desenvolvimento de software de maneira geral.

Vamos começar então, claro, pelo começo!!!

Passo 01: Entender a lei de Little.

A lei de Little relaciona as métricas básicas de fluxo em uma equação fundamental e elegante. A lei de Little é uma relação de médias. Não se distraia com a matemática da lei de Little. O significado da lei não vem necessariamente de associar números na equação. Ao indicá-lo em termos de equação para contextos onde o WIP é contínuo, há cinco pré-requisitos necessários para a lei de Little funcionar, a saber:

  1. A média de entrada ou taxa de chegada (λ) deve ser igual ao throughput médio (taxa de saída).
  2. Todo o trabalho que é iniciado acabará por ser concluído e sair do sistema. Portanto, é esperado que todo o trabalho seja realizado pelo sistema.
  3. A quantidade de WIP deve ser aproximadamente a mesma no início e no final do intervalo de tempo escolhido para o cálculo.
  4. A idade média do WIP não está aumentando nem diminuindo.
  5. Tempo de ciclo, WIP e throughput devem ser medidos usando unidades consistentes.

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Use estas suposições como um guia para as suas políticas de processo. Quanto mais você violar essas suposições, menos chance você tem de ser previsível. Mesmo se as suposições não estejam válidas para o período inteiro que esteja sob análise, a lei de Little pode ainda ser usada como uma estimativa.

No entanto, a “acertividade” da estimativa depende de quão mal as suposições foram violadas. Quanto mais as suposições acima forem violadas, pior será a estimativa.

 A lei de Little não é para previsão. Para fazer previsões, vamos precisar de outras ferramentas. Se alguém lhe diz que você pode prever com a lei de Little ou mostra-lhe um exemplo de como fazê-lo, você conversar com ele, de maneira educada, e mostrar, com fundamentos sólidos, que fazer previsões com a Lei de Little não é possível.

Passo 02: Divdir o seu fluxo

Outro ponto importante no seu trabalho com métricas é poder fazer pequenas segmentações do seu fluxo de trabalho. Se você segmentar seu WIP em diferentes tipos, então a lei de Little pode ser aplicada a cada um dos diferentes tipos de segmentos.

Faz parte do trabalho com métricas o uso intensivo de gráficos e ferramentas estatísticas. Uma ferramenta muito usada são os gráficos de dispersão. Use os percentils do seu gráfico de dispersão para colaborar com seus clientes na escolha de um contrato de nível de serviço para o seu processo.

Passo 03:  Faça uso de gráficos

Um outro gráfico muito importante é o CFD, ou Cumulative Flow Diagram. Como em CFDs, é possível segmentar seus dados por tipo. Você pode optar por fazer isso para oferecer diferentes SLAs para diferentes tipos de item de trabalho em seu processo. Os SLAs permitem compromisso (e estimativa) no nível do item de trabalho. Os SLAs fornecem uma sensação de urgência aos itens que foram comprometidos. Você também pode usar os percentuais de dados de tempo de ciclo como um guia para itens de “correto dimensionamento” que entram em seu processo. Use este correto dimensionamento como um atalho para estimativa. Comparar a idade de um item com o seu SLA pode fornecer informações úteis sobre quando fazer uma intervenção para garantir a conclusão oportuna.

E quais seriam as melhores ou maiores e mais bem-sucedidas implementações de uso de métricas ágeis acionáveis para a previsibilidade? São aquelas que mais fizerem sentido para o seu fluxo de trabalho!

 Saber como evitar as armadilhas do uso incorreto de métricas pode requerer muito esforço, tempo e dedicação. Ou pode ser um pouco abreviado com aprendizado compartilhado, bom estudo de referências sólidas e prática, muita prática!

Vamos tomar um minuto para rever o que nós aprendemos até agora. Os passos para a previsibilidade são simples:

  • Definir políticas de processo baseadas nos pressupostos da lei de Little — incluindo políticas em torno de como você define os limites do seu processo.
  • Não comece o trabalho novo em uma taxa mais rápida do que você termina o trabalho velho.
  • Não permita que os itens envelheçam arbitrariamente devido a bloqueios, muito WIP ou políticas de fluxo puxado inconsistentes.
  • Minimizar a quantidade de trabalho que é iniciado, mas nunca termina. Ao operar seu processo, colete dados sobre as métricas básicas de fluxo.
  • Work In Progress, Cycle Time e Throughput: visualize suas métricas de fluxo na análise de fluxo. Faça uso de diagramas de fluxo cumulativo,  gráficos de dispersão de tempo de ciclo e histogramas para realizar análise e para intervir no seu sistema.

Passo 04: Analisar e intervir no sistema quando necessário

Outras dicas importantes: Intervir quando o sistema não vai bem, identificar melhorias para as políticas para otimizar o desempenho e fazer previsões. Seguindo estes passos você terá uma chance muito grande de ter o seu sistema em um cenário de previsibilidade. Você será capaz de responder à pergunta “quando será feito?” Assim como o atraso é o inimigo do fluxo, qualquer atraso na implementação desses princípios poderá severamente dificultar a sua capacidade de ser previsível. Lembre-se, as ações que tomamos hoje têm o maior impacto na nossa previsibilidade amanhã.

As métricas tradicionais podem não funcionar para resolver os problemas do seu fluxo de trabalho, do seu sistema. Fazer uso de novas ferramentas, porém simples, podem lhe fornecer um ganho extraordinário de produtividade.

Bem, é isto!

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Referências:

Little, J. D. C., and S. C. Graves. “Little’s Law.” D. Chhajed, T. J. Lowe, eds. Building Intuition: Insights from Basic Operations Management Models and Principles. Springer Science + Business Media LLC, New York, 2008.

Magennis, Troy. Forecasting and Simulating Software Development Projects.Self-published, 2011.

Reinertsen, Donald G. Managing the Design Factory. Free Press, 1997.

Reinertsen, Donald G. The Principles of Product Development Flow. Celeritas Publishing, 2009.

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