Tarefa Hammock (Debate) – Parte II

Antes de continuar, algumas considerações:

1- Este material surgiu em função de um debate na lista da E-Plan.
2- Você pode visualizar a parte I do Debate (Clicando aqui)
3- Você pode saber mais sobre o tema abortado – Hammocks & Exemplos aplicados – (Clicando aqui)

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Carta de Farhad Abdollahyan sobre Hammocks:

 

     Caro Peter,

     Para começar, no exemplo não sei de onde vem a Corrente Critica (30 dias)!!! E depois o 25 dias, dado que as atividades supostamente tinham 10 (C) e 20 dias (A, B e D) de duração!

     Dependendo da maneira que nivelarmos o projeto, passamos de 40 dias sem nivelamento para 50 ou 60 dias, dado que o caminho crítico sem nivelamento é Início-A-B-Fim. (0+20+20+0). Se colocarmos uma prioridade maior no C, o MS Project nivelará a atividade A e teremos:

“corrente crítica” = (C)Farhad 10 + (A) Farhad 20 + (B) Peter 20 = 50

Senão teremos

“corrente crítica” = (A) Farhad 20 + (B) Peter 20 + (D)Peter 20 = 60

     Em segundo lugar, creio que está cometendo um erro crasso de conceito e outro de entendimento do problema!

     Quando escreve que “Se eu prender uma atividade HAMMOCK em INICIO e FIM e colocar FARHAD e Peter como recurso utilizado nela” não faz menor sentido. Uma atividade “Hammock” ou “Summary Activity” é “um grupo de atividades do cronograma agregadas, relacionadas em algum nível de resumo e exibidas/relatadas como uma única atividade no nível de resumo”, em outras palavras, uma Hammock não é uma atividade de verdade, é apenas uma sumarizadora, portanto, não devemo alocar recurso nela diretamente.

     Para criar uma HAMMOCK, criamos um marco de início e um de fim e relacionamos logicamente as atividades desta sub-rede (ou sub-projeto) e temos uma hammock. No MS Project conseguimos este efeito criando uma indentação, e o SW demonstra uma barra preta variável (como você disse) cujo início tem uma relação início a início com a primeira atividade da rede e o seu ponto final tem uma relação término a término com a última (no seu exemplo “início” e “Fim” respectivamente).

     De certa forma, representa o pacote de trabalho.

     O outro erro seu é que recomenda uma atividade sumarizadora para o colega que tem dois grupos de atividades distintas:

     (1) Atividades que irão produzir as entregas propriamente ditas, e (2) Atividades de fiscalização e apoio que não geram entregas tangíveis.

     Se indentar as atividades principais e criar a super guarda-chuva (HAMMOCK) não irá resolver o problema do colega, pois o que ele quer realmente é poder inserir atividades de fiscalização e apoio.

     E não se trata de questão de SW, pois para dizer a verdade, o MS Project até permite associar recurso a esta atividade sumarizadora (e calcularia os custos como o colega quer), mas este macete tem dois problemas: (a) MSP soma os custos das atividades de sub-rede com os custos dos recursos alocados diretamente na Hammock e mostra tudo no Hammock, isto pode confundir! (b) Da mesma forma que não é correto colocar predecessor ao nível da Hammock, não devemos também alocar recurso no Hammock.

Abraço,

Farhad

 

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Peter Mello, em resposta a carta:

 

      Farhad,
      Meu erro foram as unidades. Eu comecei com a unidade DIA e depois coloquei o custo HORA. Onde eram 20 e 10 dias, eu fiz o exercício com 10 e 5 dias (portanto basta dividir os seus achados por 2 para acertar com meu erro de unidades).
O raciocínio está correto e os resultados (ajustados) também:
- seus 60 dias seriam os meus 30
- seus 50 dias seriam os meus 25.
- o valor hora é de fato R$ 1,25 (para dar os R$ 10,00 por dia que usei nas minhas contas)
No entanto:

      A) O MSProject precisa que você faça ajustes manuais durante o nivelamento para achar o melhor resultado. Se você tiver 4 ou 40 atividades, vai conseguir fazer a priorização correta e ter um bom retorno. Se tiver 400 ou 4000 atividades, não pode depender de priorizações manuais para encontrar o melhor nivelamento
      B) O MSProject não mostra a corrente crítica. Apenas coloca em vermelho os elementos pertencentes ao caminho crítico CPM e portanto todas as folgas não tem qualquer utilidade.
      Quanto aos usos da HAMMOCK:
      - A descrição da Hammock no Practice Standard of Scheduling nasceu DEPOIS das hammocks serem inventadas e aplicadas em diversos softwares. Não é por que o Practice Standar diz que a hammock só pode ser utilizada para A, B ou C que ela também não possa ser usada para D, E ou F. No entanto, a regra MÍNIMA estabelecida para uma hammock é que ela seja capaz de agregar durações provenientes das atividades que ela sumariza. No Standard, tarefa sumário e hammock são sinônimos, o que não é exato. A hammock se presta a sumarizar atividades que não estão em subitens da mesma decomposição da EAP, enquanto a tarefa sumário está sempre presa a estrutura hierárquica da decomposição.
      - Por estas “funções extras” da hammock que não estão no Practice Standard e nem no MSProject, mas estão no Primavera e no Spider é que a hammock se presta exatamente ao que o colega quer, durante sua análise de fiscalização.
     - Você sabia que durante o preparo do Practice Standard houve uma votação para ver se “cronograma nivelado por recurso” deveria entrar ou não no Standard? Como a base dos desenvolvedores é americana e eles usam CPM e prestam pouca atenção a CCPM ou qualquer método que faça nivelamento adequado de recursos, cronogramas baseados por recursos quase não foram contemplados no Practice Standard.
     - Se isso tivesse acontecido, isso iria fazer com que as pessoas que utilizam corrente crítica ou resource critical path deixassem de usar ? O standard não é prescritivo e sim descritivo.
Vou preparar um PDF com tudo, para você ver como funciona.

 

Abraços,
Peter.

[TOC] Mega projetos

Tópico:

- Troca de correspondências sobre megaprojetos encaminhada para à lista TOC –

 

Carta de Humberto Baptista
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—– Original Message —–
From: Humberto Baptista
To: toc-brasil@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, June 19, 2009 11:45 AM
Subject:[toc-brasil] TOC em mega projetos

 

     Olá Rômulo,

     O quanto você sabe sobre TOC?
     Com o risco de “chover no molhado”: você conhece o princípio de Pareto, certo? 80% dos fenômenos pode ser explicado por 20% das causas em uma coleção de eventos independentes. Agora se os eventos não são independentes a relação não é mais 80:20, mas em geral sobe para 99:1 ou mais ainda. Ou seja, quanto mais fortemente conectado um sistema menos causas impactam o sistema como um todo.
Imagine agora “mega projetos”: existem muitas relações entre as partes destes, tantas que às vezes a própria rede de projetos (que deveria ser uma visão simplificada da relidade) chega a ser incompreensível. Justamente por esta vasta quantidade de relacões de causa e efeito podemos ver que o número de causas (ou pontos de alavancagem) nestes sistemas é muito pequeno.
      A TOC fornece ferramentas para identificar os pontos de alavancagem (restrições) e gerenciar o sistema através deles.

 

Abraços,
Humberto

 

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Peter Mello, em resposta ao debate:

 

     Humberto,

     Goldratt fala da “Simplicidade Inerente” e por isso defende projetos simplificados em até 300 atividades, não é isso?

     Creio que por isso você fala que uma rede “deveria ser uma visão simplificada da relidade”, certo?

      Este é um ponto fundamental de diferença entre a abordagem de Restrições desenvolvida por Goldratt e uma abordagem de Restrições desenvolvida com base ao RCP (Resource Critical Path) na Rússia.

      Depois de estar em um evento com Goldratt e ter participado do seu webcast (graças ao seu generoso convite junto com o Alonso), eu mais do que nunca acredito que este conceito “de manter simples” é um mecanismo de lidar com o problema mais amplo quando não se tem ferramentas adequadas para os cálculos em menor nível.

     Ou seja: Já que a rede fica grande e eu não sei o que fazer com ela, preciso simplificar a rede para poder fazer algo!

      No entanto, vivemos em um mundo de altíssimo avanço tecnológico e da mesma forma que um engenheiro faz desenhos eletrônicos usando CAD, podemos desenhar cronogramas detalhadíssimos, utilizando as melhores ferramentas da qualidade para entender o MENOR grão possível do projeto e – sem entender exatamente como o software faz – ter um resultado em um nível mais alto, em que eu ENXERGO e ENTENDO, algo que será melhor do que eu simplificar por conta própria.

      Ou seja: Eu acho que todos os conceitos de CCPM são aplicáveis em pequenos, médios e mega projetos, menos o conceito de redes simplificadas. Há centenas, se não milhares, de restrições que precisam ser trabalhadas nestes megaprojetos e para você focar nas mais importantes, precisa que “alguém mais” (ou o software) resolva boa parte das outras por você!

     PROJETOS SÃO DINÂMICOS. A instabilidade é muito mais comum neste ambiente do que na indústria, onde nasceu a TOC. Por esta razão, uma rede de projeto pode mudar drasticamente da noite para o dia simplesmente por que uma equipe de projeto não pode chegar ao local, ou um equipamento importante quebrou.

     Na indústria, uma máquina quebrada é tratada pelas reservas para as incertezas e logo que ela é reparada, a sequencia de atividades continua. Se o tempo quebrado for MENOR do que o buffer, a sequencia continua sem grandes prejuízos.

      Em um projeto, uma máquina quebrada não pode ser só tratada pelas reservas! A ausência da mesma pode determinar que um conjunto completamente novo de atividades precise ser executado, ou uma nova sequÊncia de uso dos recursos seja criada para lidar com a impossibilidade de trabalhar exatamente naquele segmento.

      SUPONHA que em meu projeto eu precise de uma PONTE para atividades subsequentes que será construída no próprio projeto. Em função da forma com que organizo as atividades baseado nos recursos possíveis, pode acontecer que eu programe para DEPOIS da ponte atividades que de fato poderiam ser feitas SEM ela, mas por falta de recursos eu primeiro planejei eles utilizados na PONTE e depois então nas atividades remanecentes.

      Em uma rede CCPM, eu vou colocar um buffer e minha sequência no caminho crítico fica IMUTÁVEL. Assim, se a PONTE sofre atrasos ou quebra, todas as atividades seguintes na mesma rede ficam aguardando a solução, enquanto o buffer vai sendo consumido. Em muitos casos, mesmo que o gerente possa atuar de forma distinta, como o CRONOGRAMA é simplificado, ele nem percebe as demais coisas que pode fazer enquanto espera a ponte (planejamento da rede com nível pequeno de detalhe).

      Em uma rede SDPM, eu não tenho o buffer “preso” a um único caminho e tenho detalhadamente TODAS as atividades que cada recurso pode efetuar. No momento em que a PONTE não está disponível, eu posso reprocessar todo o diagrama de redes e adiantar atividades que de fato não dependem da ponte enquanto o problema é resolvido.

     Portanto, meu alerta para o Rômulo é: Se não tem ferramenta adequada, use CCPM x CPM que você terá muitas vantagens. Se pode contar com ferramentas de otimização de cronograma, planeje em maior detalhe e utilize CCPM aliado a conceitos de SDPM, para lidar com as incertezas dos mega projetos!

Abraço,

 

Peter Mello, PMI-SP, PMP
The Spider Team

http://www.thespiderteam.com/sdpm